Você recebe a notícia numa quinta-feira, no corredor: “a partir de segunda, o aluno novo do 4º ano vem para a sua turma. Ele tem laudo e precisa de PEI.” Você concorda com a cabeça, sorri, e por dentro pensa a mesma coisa que quase todo professor pensa nessa hora: e agora, por onde eu começo?
Se essa cena te é familiar, respira. O Plano Educacional Individualizado assusta mais pelo nome do que pela prática. Ele não é um documento jurídico impossível nem um teste que você pode “errar”. É uma ferramenta de trabalho — e, bem feita, ela trabalha a seu favor. Neste texto a gente monta um PEI juntos, do zero, sem enrolação. E no fim você leva o modelo editável para usar já na próxima segunda.
O que o PEI é (e o que ele não é)
Vamos tirar três pesos das suas costas antes de qualquer coisa.
O PEI não é diagnóstico. Você não precisa entender de neurologia nem decifrar o laudo. Quem diagnostica é a área da saúde; o seu papel é pedagógico.
O PEI não é um documento morto para arquivar e mostrar quando a supervisão pedir. Se o seu PEI não muda em um ano inteiro, ele não está sendo usado — está enfeitando uma pasta.
E o PEI não é sobre o que falta no aluno. Esse é o erro mais comum e o mais caro. Um plano que começa listando tudo o que a criança “não consegue” já nasceu torto.
Então o que ele é? Um mapa. Ele responde três perguntas simples: quem é este aluno hoje, aonde a gente quer que ele chegue, e o que vamos fazer para ajudá-lo a chegar lá. Só isso. O resto é preencher com honestidade.
Passo 1: comece pelo que a criança já faz
A primeira seção do PEI — a mais importante e a mais esquecida — é a que descreve o aluno. E ela começa pelas potencialidades, não pelas barreiras.
Parece detalhe, mas muda tudo. Compare:
- “Não acompanha a turma na leitura.”
- “Reconhece todas as letras, lê palavras de duas sílabas com apoio de fichas ilustradas e se concentra por até 20 minutos em atividades sobre dinossauros.”
A segunda versão te dá por onde puxar o fio. A primeira só te dá um beco sem saída. Descreva o que a criança faz, do que gosta, com quem se vincula, o que a acalma. Esses não são detalhes fofos — são as suas ferramentas de trabalho para o ano inteiro.
Só depois disso você registra as barreiras. E repare na palavra: barreira, não defeito. A barreira está no ambiente, não na criança. “Sai da sala quando o sinal toca” não é indisciplina; é uma barreira sensorial que você agora sabe que existe e pode contornar.
Passo 2: escreva objetivos que você consegue enxergar acontecendo
Aqui mora o segundo erro clássico: objetivos vagos. “Melhorar a leitura” não é objetivo — é um desejo. Você não consegue saber se cumpriu.
Um bom objetivo é observável e mensurável. Ele responde: o que o aluno vai fazer, em qual condição, com quanto apoio e até quando.
Em vez de: “Melhorar a leitura.” Escreva: “Ler em voz alta palavras de duas sílabas simples, com apoio de fichas, em 4 de 5 tentativas, até o fim do bimestre.”
Viu a diferença? O segundo você consegue ver acontecendo na sexta-feira. E poucos objetivos bem trabalhados valem muito mais que uma lista enorme que ninguém acompanha. Escolha dois, três, quatro. Foco é o que faz o PEI andar.
Passo 3: adaptar não é facilitar
Muita gente trava aqui por medo de “passar a mão na cabeça”. Então vamos combinar uma frase que resolve a dúvida de uma vez: adaptar não é deixar mais fácil, é remover a barreira para que o aluno mostre o que sabe.
Prova adaptada não é prova mais fácil. É a mesma aprendizagem, medida de um jeito que a barreira não atrapalhe. Se o aluno sabe a matéria mas trava com o enunciado longo, reduzir o enunciado não é facilitar — é medir o que importa. Dar tempo adicional para quem processa mais devagar não é vantagem indevida; é justiça.
O modelo separa dois tipos de adaptação, e vale você ter isso claro:
- Adaptações de acesso: como o conteúdo chega até o aluno (posição na sala, material ampliado, apoio visual, tecnologia assistiva, tempo adicional, pausas).
- Adaptações curriculares: o que e como se ensina (mesmo objetivo com material concreto, um passo antes, um exemplo mais próximo da realidade dele).
Passo 4: transforme o PEI num documento vivo
Um PEI que ninguém revisa é um PEI que morreu na primeira semana. Por isso o modelo tem um quadro de acompanhamento bimestral — e é ele que faz toda a diferença.
A cada bimestre, você registra: o objetivo, a situação (alcançado, em progresso, não iniciado, revisar), as evidências que você observou e o próximo passo. Leva dez minutos e faz duas coisas ao mesmo tempo: mostra a evolução real da criança e protege você em qualquer questionamento futuro. Se um dia alguém perguntar “o que a escola fez por esse aluno?”, a resposta está toda ali, datada.
E um detalhe humano: o PEI se constrói junto. Com a família, com o AEE, com a coordenação. Todo mundo que assina se compromete — e a família tem direito a uma cópia. Você não está sozinho nisso.
Baixe o modelo de PEI editável
Para você não começar do zero, preparamos um modelo de PEI completo e editável, em Word, com todos os campos estruturados: identificação, quem é o aluno, objetivos, adaptações, avaliação adaptada e o quadro de acompanhamento bimestral. Vem com instruções em cada seção e exemplos prontos para você adaptar à realidade da sua escola.
BAIXAR O MODELO DE PEI EDITÁVEL ( Para conseguir editar converta o PDF para.DOCX ou WORD) Gratuito. Alinhado à LBI. Basta preencher os campos e apagar as instruções.
É só baixar, preencher e levar para a reunião de segunda. O aluno novo chega, e desta vez você já sabe por onde começar.
Este material é gratuito e pode ser adaptado à realidade da sua escola. Produzido pela Faculdade São Luís — primeira faculdade credenciada no Brasil a ofertar pós-graduação a distância.
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