“Meu filho não tem nada”: Como lidar com pais que negam o diagnóstico de TOD (e protegem o comportamento)

Uma das maiores frustrações relatadas pelos professores no aulão da Faculdade São Luís foi a barreira familiar. Você identifica os sinais, sofre com as crises em sala, faz o relatório, mas quando chama os pais, ouve frases como: “Em casa ele não é assim”, “Isso é implicância da professora” ou “Não vou dar remédio porque ele não é doido”.

A negação familiar é um obstáculo gigante no tratamento do Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Sem o apoio de casa, o trabalho da escola fica manco. Mas como quebrar esse muro sem criar uma guerra com a família?

Neste artigo, vamos explorar a psicologia por trás dessa negação e as estratégias técnicas (e jurídicas) para o professor se resguardar e tentar engajar esses pais.

Por que os pais negam?

Antes de julgar, é preciso entender. Receber a notícia de que um filho tem um transtorno comportamental é um luto. O “filho ideal” morre para dar lugar ao “filho real”, que traz problemas. Muitos pais entram em negação como mecanismo de defesa. Eles se sentem culpados (“Onde eu errei?”), envergonhados ou simplesmente não têm ferramentas emocionais para lidar com a realidade. Além disso, existe o cenário da família desestruturada, mencionado pelas especialistas Sheron e Eduarda. Lares onde o “não” nunca é dito, ou onde a violência é a linguagem comum, tendem a normalizar o comportamento agressivo da criança, achando que é apenas “jeito de menino”.

O Fenômeno da “Sabotagem” do Tratamento

Uma situação clássica relatada no aulão: a criança começa a ser medicada e melhora visivelmente. O professor respira aliviado. Duas semanas depois, o caos volta. Motivo? “Ah, ele estava tão bonzinho que achamos que não precisava mais do remédio”. Essa interrupção por conta própria é gravíssima. O TOD exige constância. Quando os pais retiram a medicação ou as terapias arbitrariamente, a criança sofre um “efeito rebote”, voltando muitas vezes mais agressiva e confusa.

Estratégia 1: Contra fatos não há argumentos (O poder do Registro)

Se você chama os pais e diz “Ele está muito agitado”, isso é subjetivo. O pai pode discordar. Agora, se você apresenta um registro sistemático:

  • “Dia 05/04, 14h: Jogou o estojo no colega.”
  • “Dia 06/04, 09h: Gritou ao ser contrariado.”
  • “Dia 07/04, 10h: Saiu da sala sem permissão.”

O registro em ata, assinado pelos pais a cada reunião, é sua maior ferramenta. Como alertou a Professora Eduarda: “Tudo que for falado deve ser registrado em ata. Se a pedagoga não registrar, leve seu caderno e registre você.”Isso prova que a escola fez sua parte, orientou, encaminhou e alertou. Se a família negligencia, a escola está documentada.

Estratégia 2: Devolva a responsabilidade (Técnica da Pergunta)

Quando o aluno justifica o mau comportamento dizendo “Minha mãe falou que eu sou assim porque tenho TOD” (usando o laudo como muleta), ou quando os pais minimizam a agressão, não entre no embate direto. Pergunte à criança: “Você sabe o que é TOD? Onde está escrito que o TOD te obriga a bater no amigo?”. Pergunte aos pais: “Entendemos que ele tem o diagnóstico, mas a escola é um espaço coletivo. Como vocês sugerem que a gente lide com a segurança dos outros 20 alunos quando ele joga uma cadeira?”. Faça a família refletir sobre as consequências sociais do comportamento, tirando o foco da “culpa” e colocando na “convivência”.

O Limite Legal: Negligência é assunto sério

Se a família recusa tratamento sistematicamente e a criança está em sofrimento ou colocando outros em risco, estamos entrando na esfera do direito do menor. O professor deve encaminhar o caso para a equipe gestora. A escola, em casos extremos, tem o dever de acionar a Rede de Proteção (Conselho Tutelar), não como punição, mas para garantir o direito da criança à saúde e à educação. O aluno com TOD não tratado caminha para riscos maiores na adolescência, e a omissão da família é uma forma de negligência.

Continue aprendendo sobre inclusão.

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