Como lidar com a frustração dos alunos em sala de aula
Por que a frustração faz parte da escola?
Imagine a cena: durante um jogo pedagógico, um aluno perde a rodada. Ele cruza os braços, chora e se recusa a continuar. Outro, que não foi escolhido para um grupo, fica emburrado e diz que não vai mais participar. Essas situações não são exceções; elas são parte do cotidiano escolar.
A frustração surge sempre que algo não sai como esperado — perder um jogo, tirar uma nota mais baixa, não ser chamado primeiro para uma atividade. Para crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo habilidades de autorregulação emocional, a frustração pode parecer um obstáculo intransponível.
A frustração é inimiga ou aliada do aprendizado?
Muitos professores sentem-se desconfortáveis diante de crises emocionais. É comum pensar: “O que eu faço agora? Deixo ganhar? Chamo atenção? Ignoro?”. No entanto, a frustração não deve ser vista como um problema a ser eliminado, mas como parte do processo de aprender a conviver e amadurecer.
Segundo a psicologia do desenvolvimento, a capacidade de lidar com frustrações está diretamente ligada à construção da resiliência e da autonomia. Ou seja, quando bem mediada, cada situação difícil pode se transformar em uma lição para a vida.
Como agir no momento da crise?
Quando o choro ou a raiva aparecem, a primeira atitude do professor deve ser oferecer acolhimento emocional. Algumas orientações práticas ajudam nesse momento:
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Respire fundo e mantenha a calma: seu tom de voz influencia diretamente a reação da criança.
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Valide o sentimento: frases como “Eu sei que você está triste por perder” transmitem segurança.
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Evite minimizar a dor: dizer “isso não é nada” pode aumentar a sensação de incompreensão.
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Se necessário, afaste a criança de estímulos que estejam aumentando a tensão.
Como prevenir situações de frustração excessiva?
Embora a frustração seja inevitável, o professor pode criar estratégias pedagógicas que a tornem mais suportável e até construtiva:
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Explique regras com clareza: a previsibilidade reduz ansiedade.
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Valorize o esforço, não só o resultado: destaque quem colaborou, quem persistiu, quem ajudou os colegas.
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Alterne jogos competitivos e colaborativos: assim todos têm a chance de experimentar vitórias de diferentes formas.
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Trabalhe pequenas frustrações no dia a dia: atividades como esperar a vez de falar ou lidar com mudanças de rotina ajudam no preparo emocional.
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Use histórias e recursos visuais: principalmente com alunos neurodiversos, como aqueles no espectro autista, que se beneficiam de roteiros visuais para entender o que esperar em diferentes situações.
O papel do professor no desenvolvimento socioemocional
Na escola, não ensinamos apenas conteúdos. Cada interação é também uma oportunidade de aprender a lidar com sentimentos, conflitos e limites. Por isso, quando um aluno se frustra, não é apenas uma crise: é uma chance de aprender a crescer.
O professor, ao mediar esses momentos, ajuda a transformar lágrimas em aprendizado, raiva em resiliência, e derrotas em oportunidades de superação.
FAQ
1. É errado evitar que os alunos passem por frustrações?
Não. Proteger em excesso pode impedir que a criança aprenda a lidar com situações da vida real. O ideal é mediar, não eliminar.
2. Como diferenciar uma frustração comum de algo que merece mais atenção?
Se as crises são muito frequentes, intensas ou prejudicam o convívio social, pode ser importante acionar a equipe pedagógica e, em alguns casos, encaminhar para avaliação profissional.
3. Como trabalhar a frustração em alunos com autismo?
Com os mesmos princípios de acolhimento, mas utilizando recursos visuais, antecipação de regras e jogos mais colaborativos, que ajudam na previsibilidade e diminuem a ansiedade.
A frustração é parte da vida e, na escola, ela pode se tornar uma aliada do desenvolvimento. Acolher, mediar e ensinar a lidar com esses momentos é preparar nossos alunos para um futuro mais resiliente.
Veja mais reflexões sobre educação socioemocional na prática no Blog da São Luís.