Crianças, adolescentes e telas: quais os riscos e como promover o uso saudável?
Por que o uso de telas preocupa pais e educadores?
Celulares, tablets, computadores e videogames fazem parte da rotina da maioria das crianças e adolescentes. As telas são ferramentas poderosas de aprendizado, lazer e socialização. No entanto, quando utilizadas de forma excessiva ou sem acompanhamento, podem trazer impactos negativos à saúde física, emocional e escolar.
Nos últimos anos, o tempo de exposição aumentou significativamente, especialmente após a pandemia, quando atividades escolares e sociais migraram para o ambiente digital. O desafio, hoje, é encontrar um ponto de equilíbrio entre os benefícios da tecnologia e os riscos associados ao seu uso abusivo.
Quais são os principais riscos do excesso de telas?
O excesso de telas pode afetar diferentes áreas da vida de crianças e adolescentes. Entender esses riscos ajuda famílias e educadores a agir de forma preventiva.
Impactos físicos
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Sedentarismo e obesidade: quanto mais tempo diante de dispositivos, menor é a prática de atividades físicas, aumentando riscos de sobrepeso.
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Problemas de visão: a exposição prolongada à luz azul pode gerar fadiga ocular e desconforto visual.
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Alterações no sono: o uso de telas antes de dormir reduz a qualidade e a duração do sono, prejudicando o desenvolvimento.
Impactos emocionais e mentais
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Ansiedade e irritabilidade: o excesso de estímulos digitais pode gerar agitação, dificuldade de concentração e oscilações de humor.
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Comparações sociais negativas: redes sociais reforçam padrões inalcançáveis, aumentando sentimentos de inadequação.
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Uso problemático: em alguns casos, crianças e adolescentes desenvolvem comportamento de dependência digital, abrindo mão de interações presenciais e tarefas escolares.
Impactos sociais e escolares
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Redução da interação presencial: horas conectadas podem substituir momentos de convivência com família e amigos.
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Queda no rendimento escolar: dificuldade de foco e desatenção são reflexos comuns.
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Riscos de exposição online: cyberbullying, assédio e acesso a conteúdos inapropriados são ameaças reais.
Como identificar sinais de uso problemático em crianças e adolescentes?
Nem sempre é fácil perceber quando o uso de telas deixa de ser saudável. No entanto, alguns sinais ajudam a identificar que há um desequilíbrio:
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Mudanças bruscas no comportamento: irritação ou tristeza quando o acesso às telas é limitado.
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Isolamento social: preferência por atividades digitais em detrimento do convívio presencial.
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Queda no desempenho escolar: dificuldades de concentração e desinteresse pelas aulas.
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Alterações no sono e na alimentação: troca da noite pelo dia ou refeições feitas sempre diante de dispositivos.
Quando esses sinais se tornam frequentes, é importante rever regras de uso e, em alguns casos, buscar apoio de profissionais da saúde ou da educação.
Como promover um uso saudável das telas em casa?
O equilíbrio depende de regras claras, diálogo aberto e incentivo a atividades offline. Algumas práticas simples podem transformar a rotina familiar:
Estabeleça horários definidos
Limitar o tempo de uso ajuda a evitar excessos. Crianças menores precisam de períodos mais curtos, enquanto adolescentes podem ter mais flexibilidade, desde que conciliem sono, estudo e convivência social.
Crie zonas livres de telas
Momentos como refeições e a hora de dormir devem ser livres de dispositivos. Isso fortalece os laços familiares e favorece a qualidade do descanso.
Acompanhe o conteúdo consumido
É fundamental que pais e responsáveis saibam o que crianças e adolescentes assistem, jogam e seguem nas redes sociais. Assistir juntos a vídeos ou participar de jogos pode abrir espaço para conversas importantes sobre valores e segurança digital.
Negocie em vez de impor
Regras rígidas sem explicação tendem a gerar resistência. O ideal é dialogar, explicar os motivos das limitações e envolver a criança ou adolescente nas decisões.
Seja exemplo
De pouco adianta estabelecer limites se os adultos passam horas diante das telas. O modelo de comportamento dos pais é determinante para a adoção de hábitos equilibrados.
Como as escolas podem contribuir para o uso consciente das telas?
O ambiente escolar desempenha papel central na formação digital de crianças e adolescentes. Mais do que proibir, é preciso educar para o uso consciente e crítico.
Educação midiática no currículo
Ensinar a interpretar informações, identificar fake news e proteger dados pessoais é essencial. A educação midiática fortalece a autonomia e a segurança no ambiente digital.
Projetos pedagógicos criativos
As tecnologias digitais podem ser usadas para estimular a criação, como produção de vídeos, podcasts ou jogos educativos, em vez de limitar-se ao consumo passivo de conteúdos.
Formação de professores e responsáveis
Escolas podem organizar oficinas e encontros para orientar famílias sobre riscos e boas práticas relacionadas ao uso de telas.
Monitoramento equilibrado
Estabelecer regras claras para o uso de dispositivos em sala de aula, garantindo que sejam ferramentas de aprendizado e não de distração.
Qual é o papel da sociedade e das políticas públicas?
A responsabilidade pelo uso saudável das telas não se limita a famílias e escolas. A sociedade como um todo precisa se engajar.
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Regulação e proteção de dados: garantir que crianças e adolescentes estejam protegidos de abusos e exposições indevidas.
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Campanhas educativas: informar sobre os impactos do excesso de telas e incentivar boas práticas de convivência digital.
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Infraestrutura de acesso seguro: promover inclusão digital, garantindo acesso de qualidade e seguro a todas as regiões do país.
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Capacitação de profissionais: professores, médicos e assistentes sociais precisam estar preparados para orientar sobre os riscos e benefícios do ambiente digital.
FAQ sobre crianças, adolescentes e telas
Quanto tempo de tela é adequado para crianças e adolescentes?
Não há uma regra única, mas especialistas recomendam tempo reduzido e supervisionado para crianças menores e equilíbrio para adolescentes, respeitando sono, estudo e convívio social.
Como transformar as telas em aliadas do aprendizado?
Quando usadas de forma planejada, telas podem ampliar o acesso ao conhecimento, estimular a criatividade e desenvolver habilidades digitais necessárias para o futuro.
O que fazer se meu filho apresentar sinais de dependência digital?
É importante reduzir gradualmente o tempo de uso, propor atividades alternativas e buscar ajuda de profissionais de saúde se necessário.
Jogos digitais são sempre prejudiciais?
Não. Muitos jogos podem ser educativos e promover socialização. O essencial é respeitar a classificação indicativa e controlar o tempo de exposição.
Como a escola pode apoiar as famílias nesse tema?
Promovendo rodas de conversa, palestras e projetos pedagógicos que incentivem o uso consciente e responsável da tecnologia.
Caminhos para uma convivência equilibrada
O desafio atual não é eliminar as telas da vida de crianças e adolescentes, mas aprender a conviver com elas de forma saudável. Quando há diálogo, supervisão e equilíbrio, os dispositivos digitais podem se transformar em grandes aliados do desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
Famílias, escolas e sociedade precisam caminhar juntas nesse processo, garantindo que a tecnologia seja usada a favor da infância e da adolescência — e não contra.
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